Teatro na aula de língua estrangeira
Mas que teatro!

Transformar a sala de aula em um palco.
Transformar a sala de aula em um palco. | Fotografia: © Bernhard Ludewig

Os métodos pedagógicos-dramatizados também vêm avançando há alguns anos na didática de línguas estrangeiras. Por que eles funcionam e como podem ser integrados na aula? Você mesmo pode provar isso com os impulsos da teatralização.

As vantagens dessa forma de trabalhar são evidentes para aqueles que são a favor dos métodos pedagógicos-dramatizados, porque os aprendizados cooperativos e voltados à atuação são incentivados (Birnbaum 2013), os alunos desenvolvem suas próprias estratégias para lidar com erros (Johnstone 2010), sua capacidade de imaginação é estimulada, o aprendido é associado a emoções e a competência comunicativa aumenta (Haftner & Kuhfuß 2014).
 
Existem várias abordagens para trabalhar com métodos de encenação na aula. Os alunos podem, por exemplo, trabalhar obras teatrais na aula de línguas e, eventualmente, representá-la em uma variante adaptada (Birnbaum 2013). Os docentes de línguas estrangeiras também podem incluir impulsos individuais da pedagogia dramatizada e transmitir, com isso, determinados conteúdos de aprendizagem, como estruturas gramaticais, ou treinar regras de fala em forma de encenações (consultar Kirsch 2013). Além disso, os professores também podem lançar mão do teatro de improvisação em que os alunos improvisam uma cena naquele momento e de modo totalmente espontâneo (Haftner & Kuhfuß 2014). Todas as abordagens têm em comum a participação corporal e a dinâmica de usar a imaginação. Dessa forma, situações fictícias se tornam acontecimentos que quase parecem ser reais. A aprendizagem é feita em movimento, com todo o corpo e imaginando outras impressões dos sentidos.

Pequenas cenas podem servir de suporte para a aprendizagem de idiomas.
Pequenas cenas podem servir de suporte para a aprendizagem de idiomas. | Fotografia: © Martin Welker

De vez em quando, não ser eu mesmo

Representar um papel de teatro permite que não sejamos nós mesmos. Os alunos levam os erros feitos por um personagem fictício, menos para o lado pessoal. Além disso, a cena em si é muito mais importante do que as pequenas falhas linguísticas. Os exercícios pedagógicos-dramatizados fomentam tanto a espontaneidade quanto a criatividade dos participantes. Representar um personagem fictício libera bloqueios na hora de falar livremente e reforça o desempenho. No dia a dia, nós improvisamos e reagimos sempre verbalmente ao meio que nos rodeia. Essas situações podem ser simuladas em muitos exercícios pedagógicos-dramatizados em uma realidade fictícia. Essa breve imersão nesse outro mundo permite que os alunos usem exatamente o vocabulário e as estruturas linguísticas que eles já dominam. Se faltar uma palavra, eles vão perguntar ou procurar por si mesmos, por interesse próprio. Isto cria pré-condições para aprender a partir da própria iniciativa e para a participação de emoções positivas no processo de aprendizagem. 

A preparação é decisiva

É muito importante criar uma estrutura segura para os alunos. Somente quando o grupo se sentir à vontade, o professor ou a professora poderá levar os alunos a situações que, no começo, ainda serão incomuns. Como alunos com conhecimentos linguísticos parcialmente limitados, eles se arriscam a entrar em terreno inseguro. Além disso, eles são solicitados a brincar com coisas íntimas, como emoções e livre associação. O docente confere a sensação de uma segurança intrínseca entrando no mesmo plano que os alunos. Eles mesmos não deveriam se acanhar de representar diante do seu grupo coisas que poderiam parecer “embaraçosas” em um escopo não teatral. Os alunos terão então também a coragem de fazer o mesmo, e a representação em conjunto poderá começar. Além disso, eles devem compreender que os erros são uma etapa muito importante e inevitável no processo de aprendizagem, que eles podem cometer à vontade dentro dessa estrutura.
 
Cvičenia, na uvoľnenie tela, sú dôležité.
Cvičenia, na uvoľnenie tela, sú dôležité. | Fotografia: © Martin Welker

Estruturação de uma unidade teatral na aula de alemão como língua estrangeira (DaF, na sigla em alemão)

Do mesmo modo que em uma competição esportiva, também nas atuações cênicas mais complexas é importante fazer um aquecimento do corpo e da alma no grupo. Para isso, existem exercícios e jogos que levam o grupo a uma dinâmica adequada. Do mesmo modo, preparar-se ou reunir algumas palavras pode ser útil para uma atuação sem problemas. Às vezes também pode funcionar bem se a aula for pensada de trás para frente durante o planejamento. Se a representação “Banco do parque“, em que duas pessoas como personagens fictícios se encontram no palco e têm um diálogo improvisado, estiver prevista para o final da aula, é importante que os alunos desenvolvam os personagens antes e já tenham treinado a estrutura do diálogo uma vez. Geralmente, as unidades de teatro devem ser bem planejadas com antecedência, mas depois ser colocadas em prática pelo docente na aula com a flexibilidade necessária. O docente pode transmitir as regras linguísticas antes ou depois. Se alguns erros aparecerem repetidamente, também podem ser feitas anotações durante a aula e abordadas no final com mais detalhes. Palavras novas específicas que tenham aparecido espontaneamente ao longo do fluxo do trabalho podem ser apontadas de forma visível para todos. O importante é não tornar a encenação mais demorada do que o necessário.
   

Literatura

Birnbaum, Theresa (2013): Die Rolle von kooperativem Lernen und Dramapädagogik in Bezug auf das fremdsprachliche Handeln – Aktionsforschung zum DaF-Theaterprojekt Entre bastidores mit den Physikern an der Universidad de Salamanca. In: Scenario Journal 7. Jg., H. 1, S. 40-59.
 
Haftner, Magdalena /Kuhfuß, Anne-Marie (2014): Ich habe gar nicht gemerkt, dass ich Deutsch spreche – Wie die theatrale Erfahrung des Improvisationstheaters freies und authentisches Sprechen erlebbar macht und die kommunikative Kompetenz fördert. In: Bernstein, Nils/ Lerchner, Charlotte (Hg.): Ästhetisches Lernen im DaF-/DaZ-Unterricht. Literatur – Theater – Bildende Kunst – Musik – Film. Göttingen: Universitätsverlag Göttingen, S. 217-233.
 
Johnstone, Keith (2010): Improvisation und Theater. Berlin: Alexander Verlag.
 
Kirsch, Dieter (2013): Szenisches Lernen. Theaterarbeit im DaF-Unterricht. Ismaning: Hueber Verlag.

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